Atualização

19.fevereiro.2009 por Lalá

Eu sei que estou sumida desse blog.

É porque estou desenvolvendo outro projeto na blogosfera:

o blog Iniciativa Sustentável é uma tentativa de mudar o mundo.

Dá uma passada lá, eu sei que você vai gostar!

Se quiser notícias diárias, me acompanhe no Twitter: twitter.com/ladislara

Liberdaaaaade!!!

1.fevereiro.2009 por Lalá

Homens e despeladas que me desculpem, mas vocês não sabem o que é depender de depilação. Desde que ficou decidido que rapazes podem ter pelos na cara, pernas e axilas e mocinhas não, nós, morenas-clara, penamos com isso. Eu, particularmente, peno desde os 13 anos.

Outro dia parei para pensar: sabe o que é ter que passar por um doloroso processo de arrancamento dos pelos das suas áreas mais sensíveis, de duas em duas semanas, há 10 anos??

Não. É muito pra essa pobre mulherzinha aqui. Isso é tortura à longo prazo. E pior, a gente ainda tem que pagar por ela! E pagar caro. Fiz as contas, e descobri que eu gasto cerca de 50 reais com depilação todos os meses. Por 10 anos, isso dá 6 mil reais! Seis-mil-reais gastos com um troço verde e gosmento que você joga no lixo! Acredite, eu já tentei outros métodos. Já passei pela cera fria, cera quente, cera de algas, creme depilatório, folhinhas, água oxigenada, gilete para as pernas, é claro, mas não tem jeito. O mais compensatório em termos de dor x resultado x preço ainda é a cera de algas.

Além disso, como o método caseiro realmente não é o mais recomendável, você tem que ir ao salão sempre, e organizar sua vida em torno disso. Meu humor, minha disponibilidade para ir à piscina, para sair com aquele gatinho, para ter uma noite especial com o namorado, todas essas coisas giravam em torno da depilação. Até meu próprio guarda-roupas era dividido em duas partes: o que eu poderia usar antes da depilação (calças, blusas de manga) e depois da depilação (vestidos, saias, blusas de alcinha, shorts, bermudas).

Até que semana passada resolvi romper de vez com essa relação dominadora, e descobri ele. Ele que vai nos salvar a todas, que nos fará livres, que não faz distinção de sexo, nem exclui o fino ou o grosso, o negro ou o branco, que atende até aos pequenos, ele: o depilador elétrico! Versátil, eficiente, bivolt, e (quase) indolor. Confesso que minha vida é outra, me livrei da escravidão da cera. Cida, Eliane, me desculpem, mas vou trocar o salão de vocês por ele.

Com a euforia, deu até pra reorganizar meu armário: misturei tudo e dividi por cores! =D 

Rumo ao laser.

When your insides come out to play

19.novembro.2008 por Lalá

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Já que várias pessoas têm me cobrado uma postagem, aqui vai uma rapidinha: andando ou melhor, navegando pela web, descobri o site do I Heart Guts no qual, como ele próprio diz, “All yours insides come out to play” (todas as suas víceras saem para brincar, ou algo assim). Trata-se de uma loja na qual vendem-se órgãos de pelúcia, como esse útero fofo acima. Além disso também têm blusas, quadros e broches. Creio que é voltado para crianças, mas não me parece algo tão infantil assim, hehe.  O útero da foto custa US$ 16,20, e o site entrega no Brasil (com taxa de frete, mas entrega!). Você ainda consegue comprar kits com vários órgãos. Divertido, não? Ainda tem corações para os apaixonados, vesícula biliar, pra quem precisa de bile, pulmões pra quem precisa de ar, rins para aqueles que curtem uma hemodiálise e fígados, para os preocupados com a cirrose. 

Em terra de cego…

21.setembro.2008 por Lalá

Fazia algum tempo que eu não sofria de alguma forma um preconceito. Não pertenço a muitas minorias na verdade. Tirando o fato de ser mulher, que até não costuma ser tão limitante, costumo ser bem atendida nos lugares. Me lembro de sentir preconceito quando eu era criança, geralmente não se dá muita atenção a elas. Hoje ainda percebo isso um pouco pelo fator feminino, sempre se espera que o homem pague a conta, que o chopp seja pra ele, que ele entre na briga. 

Pois bem, mas o fato é que ontem, fui a um restaurante mais arrumadinho. Não estava vestida de modo desleixado nem nada, estava bem arrumada. Sentei, a procura de um garçon com o cardápio. Nada de aparecer um. Depois de um tempo, uma casal um pouco mais velho se senta na mesa do lado. Eis que surge imediatamente um garçon, com dois cardápios na bandeja, me comprimenta amigavelmente, passa por mim e vai entregar os dois cardápios para o casal da mesa do lado. 

Fiquei pensando, e deve ser a sensação que muita gente tem por aí quando é desrepeitado pela cor, pela orientação sexual ou simplesmente por usar chinelos: “O que foi que eu fiz?”. Cheguei à infeliz conclusão de que o casal do lado tinha cara de quem ia gastar mais dinheiro do que eu (verdade, diga-se de passagem). Então o garçon não via pessoas, que chegaram umas antes das outras, e estão esperando. Ele só via cifrões na frente dele.

Continuei na minha luta por atenção e por um cardápio. Foi aí que apareceu um garçon gentil, que foi o

 único que nos atendeu durante toda a noite, porque era o único que via quando eu chamava. Mas o fato mais

 especial nele era este: ele só enxergava com um olho. Tinha um tipo de problema no olho direito que deixa as pessoas com a iris embranquecida. 

 

Foi que aí que eu percebi. Pra ver as pessoas ao nosso redor a gente nem sempre usa os olhos.

O Blog de Saramago

16.setembro.2008 por Lalá

Está decidido. Na primeira oportunidade, vou para Lisboa. Saramago me fala dela em seu blog, e ela parece nos entrar na alma no momento em que se lhe põem os pés. Niguém traduz como ele o sentimento de transitoriedade ao qual estamos sujeitos nessa terra nossa e em qualquer outra: “O que sabemos dos lugares é coincidirmos com eles durante um certo tempo no espaço que são” diz o poeta. Estamos só passando. O que ficam são esses morros, essas paisagens, esse horizonte. Até que um dia, lá se vão eles também. Fica nada.

Mas ao blog, que é a novidade: é recente, cerca de três dias. Mas já tem assidiuidade. Nos primeiros posts, ele já critica Bush e a Igreja. Quem sabe o mestre da literatura não se integra de vez ao digital? Maravilha nos olhos e água na boca.

Hole

10.setembro.2008 por Lalá

Um dia o vazio se materializou na forma de uma pessoa. Era Pedro, o vazio com um nome. Descobriu que era oco naquelas tardes quentes em que o vento sopra devagar. Pois a brisa soprou sobre ele, e através dele passou. Foi assim que ele descobriu que estava destinado a não-ser.

As coisas que ele mais gostava de fazer eram, nessa ordem: dormir, ficar parado debaixo do chuveiro sentindo a água quente escorrer-lhe pelos ombros, e viajar por longas horas dentro de um carro ou de um ônibus. Apreciava por que eram não-fazeres, não-atividades. Eram momentos em que ele podia fazer nada sem ser cobrado, justamente porque eram horas convencionadas à espera. E Pedro vivia à espera.

Gostava de ler, mas isso não o tornava mais sábio, nem mais preenchido. É porque sendo feito de vazio, não havia nada nele que segurasse conhecimento, afeto ou lembrança. Assim, Pedro não se afeiçoava a ninguém, e nem sofria. Não retinha sentimentos, assim como não retinha sucessos em sua vida.

Pedro perdeu sua virgindade numa noite sem calor. Depois não a viu mais por muito tempo.

Podia se dizer que ele era um preguiçoso, mas ele preferia pensar que era um gosto pessoal.

Na escola, ele fazia o que lhe era dito. Não tinha idéias novas, nem era cobrado por isso. Ninguém esperava nada novo dele. Mas Pedro foi crescendo e os tempos mudaram. Chegou a hora em que os pais o chamaram num canto e começaram a falar de coisas com as quais ele não tinha tido contato até então: trabalho, sustento, independência. Até o momento Pedro se levantava e a comida estava na mesa, tomava banho e a roupa estava esperando por ele, pedia dinheiro e lhe era dado. Agora exigiam de Pedro que conseguisse o seu próprio dinheiro, arrmasse sua própria cama, fizesse sua própria comida.

Fazer coisas. Era algo com o qual ele não estava acostumado. Não podia simplesmente passar a existência em branco? Por que a sociedade exigia tanto dele? Ele só queria não-ser. Pedro pensou: o que aconteceria se ele se recusasse a ser alguma coisa? Não lhe ocorreu idéia alguma.

*hmm, será que eu devo continuar…? Acho que não tenho experiência pra isso.

Dependência virtual

7.setembro.2008 por Lalá

Outro dia o lugar em que eu trabalho ficou sem intenet. A rede chegou a parar totalmente por apenas uma hora, mas deu para sentir a apreensão do trabalho sendo  acumulado.
Enquanto o técnico migrava de computador em computador tentando consertar o problema, me descobri dependente. As minhas treze abas em duas páginas do Firefox mais o outlook olhavam para mim e riam da minha cara, dizendo: Ha! veja se consegue sobreviver sem nós! Desesperada por ação, abri o bloco de notas e começei a redigir esse texto. Nem o Word me sinto com competência para usar nesse momento.
Como aprendiz de jornalista, minha dependência da internet me assuta. Realmente não consigo ter a menor noção de como uma redação se virava antes do advento da rede. Imagino telefonemas a esmo e enciclopédias gigantes, mais montanhas de livros sendo consultadas por vários repórteres desesperados, e muitos carros saindo a caminho de secretarias de governo. Ou talvez as pessoas fossem mais solícitas ao telefone e as informações fossem mais fáceis de se obter.
Gostaria que houvesse algum tipo de curso, ou pelo menos um único profissional disposto, que pudesse me ensinar a largar um pouco o meu vício pela internet. Talvez uma oficina, um dia de experiência na qual a redação passaria um dia desconectada. Será que alguém aceita o desafio?

*onde achei a imagem

Impressões de um debate político

2.setembro.2008 por Lalá

Não pode se dizer que o debate de hoje entre os candidatos à prefeitura de Belo Horizonte, que aconteceu no Campus UFMG foi morno, ou tampouco que não tenha havido emoções. É claro que não houve ovos, mas chegamos perto disso. Jô Moraes, 2ª colocada nas pesquisas -chegou a ser a 1ª no início das campanhas- bateu em Márcio Lacerda. Sérgio Miranda, Pepê do PCO e Vanessa Portugal bateram em Márcio Lacerda. Todos bateram em Márcio Lacerda. Até a platéia, e principalmente ela.

O candidato favorito, esperto que só, não compareceu. Mandou o seu vice -Roberto Carvalho- ir em seu lugar pra receber as vaias. É claro. Candidato que está ganhando não vai a debates. Candidato de situação também não. Como ele é os dois… Ainda mais o “Pimentécio”, que construiu seu primeiro lugar às custas da imagem da Tv, onde se esconde atrás do prefeito e do governador. O difícil é saber onde estes dois estarão depois que o candidato da aliança for eleito, ainda mais quando chegarem as eleições de 2010…

Mas voltando ao debate, a platéia da UFMG adora duas coisas: que se bata no prefeito e que se fale sobre o meio-passe estudantil. Leonardo Quintão saiu na frente, com um discurso enfático que abordava essas duas coisas. Vanessa Portugal teve uma boa fala, mas suas idéias são radicais por demais. Comem no feijão-com-arroz do comunismo, de que a culpa é dos ricos, e os pobres devem ser colocados acima de todos os interesses, e retirados da miséria com o dinheiro dos mais abonados.

Pedro Paulo, o Pepê do PCO, era o mais radical. Chegava a ser engraçado. Falou que com o petróleo do pré-sal o Brasil deixa de ser a 34ª potência mundial para se tornar uma potência galáctica. Os parlamentares eram gerentes da burguesia e os partidos estavam se organizando contra os que trabalham. Quer governar para os operários. Os médicos, professores, secretárias, faxineiras, estudantes que se danem.

Uma unanimidade entre os candidatos foi a reforma política. A maioria defendeu o financiamento público de campanha e tempos igualitários na TV. (Menos o Roberto Carvalho, que não teve muito tempo para expor seu ponto de vista sobre o assunto, porque as pessoas não paravam de vaiar). Seria interessante ver esses candidatos, como ocorreu no debate, todos com tempo para expor bem suas propostas. Quem sabe não ganha alguém diferente? Quem sabe o discurso da Vanessa Portugal não é tão bom que convence? As eleições não são um debate entre posições políticas e propostas?

Bom, no fim de tudo, saí com uma conclusão: votar na Jô, pra que o Lacerda não ganhe no primeiro turno. E viva a marcha contra o Márcio Lacerda!!

*onde achei a foto

Ps: viva o post de número 50!

A sete chaves

28.agosto.2008 por Lalá

“Hoje passei na casa da Pat para pegar o vestido que ela vai me emprestar. Ele é lindo! Só que ela me falou pra usar um shotinho por baixo, porque ele é muito curto. Ah, quer saber? Vou é sem calcinha mesmo! Aposto que o Felipe vai adorar! Depois fomos ao supermercado comprar umas coisinhas básicas para a festa: 2 litros de Smirnoff, 2 pingas daquelas boas, limão pra fazer caipirinha, uns energéticos e a Catuaba (que a Aninha vai pagar e vai beber sozinha!). Os meninos falaram que vão levar a cerveja. Depois disso já passamos no nosso fornecedor pra garantir o pó. Ai, não vejo a hora dessa festa começar!!!”

A mãe largou o diário em cima da cama e foi espiar se a filha tinha chegado. Não tinha. Voltou e começou dois dias depois.

“20 de agosto de 2008
Ai, só deu pra escrever hoje, porque passei o dia inteiro de ontem vomitando as tripas. A festa bombou demais!! Tirando que tivemos que levar o Rafa no hospital pra tomar glicose na veia, e que a Pat bateu o carro na volta pra casa, ficou tudo bem. O problema foi só que eu também estava dentro do carro. Na hora que vi ela perdendo a curva a 100 por hora, achei que ia morrer. Mesmo. Sorte que eu tava com cinto. O carro dela deu PT, e é claro que ela teve que contar pra mãe dela. Tou com o pescoço doendo pra caralho até agora, mas não vou no hospital proque o médico vai me mandar andar com aqueles colares gigantes, e minha mãe vai descobrir tudo.”

A filha tinha chegado. A mãe correu para colocar o diário na gaveta do jeito mais próximo do que havia encontrado. Ao se dirigir para a porta, deu um encontrão na menina que entrava.

-Mãe! Que que você tá fazendo no meu quarto??

-Tou procurando meus brincos, aqueles de argolinha, você viu?

-Vi não.

A filha entrou no quarto e trancou a porta. A mãe foi ajeitar a cozinha. Entre pratos e talheres lembrou as últimas perpécias da menina. Fazia mais de um ano que ela acompanhava suas aventuras. Aos 17, ela tinha uma vida emocionante, como a própria mãe nunca tivera. Mas no fundo era isso que ela almejara para si mesma, viver insanamente, estar sempre rodeada de amigos, desconhecer o medo. E não passar a adolescência num colégio de freiras. Lembrou-se do acidente. Tinha que arranjar uma desculpa para levar a filha ao médico.

No quarto, a filha abriu a gaveta e puxou o diário. Tirou a bíblia da mochila e a escondeu em seu lugar costumeiro, atrás do armário. Lembrou-se da longa caminhada que havia feito durante toda a tarde, e das palavras do padre durante a noite. Pegou a caneta e escreveu:

“Hoje a noite eu e a Pat entornamos todas. Nem sei se minha mãe reparou que eu estava bebaça qdo entrei.”

Na contramão da modernidade

25.agosto.2008 por Lalá
Nadando contra as correntes do Software Livre, do Copyleft e da inclusão digital, tramita na Câmara dos Deputados uma proposta que promete transformar a navegação na internet numa atividade altamente paranóica. Segundo seu autor, o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), a proposta do substitutivo a três projetos de lei que tramitavam na Câmara dos Deputados e no Senado é defender os internautas de fraudes eletrônicas e crimes como o racismo e pedofilia.
Mas ao estabelecer uma punição de 2 a 4 anos de reclusão para quem não fornecer telefone, nome, endereço e identidade ao inciar uma operação interativa, como e-mail, salas de bate-papo, fóruns, a lei está pegando pesado demais. Dessa forma, presume-se que todo internauta é um criminoso em potencial, e deve ser vigiado. O senador ainda vai mais longe ao determinar que os provedores de internet mantenham uma lista com todos as páginas que os seus clientes visitaram nos últimos 3 anos. Segundo Sérgio Amadeu, essa medida criaria a figura do Provedor Delator, que poderia provocar o bloqueio das redes de relacionamento, chamadas P2P (aquelas como Emule, Kazaa ou Bit Torrent, nos quais milhares de internautas copiam diariamente milhões de músicas e filmes).

Além disso, há um outro ponto no projeto que faz com que a medida seja um atentado à liberdade de expressão e de veiculação de idéias. É que a lei proíbe que se “obtenha dado ou informação disponível em rede de computadores, dispositivo de comunicação ou sistema informatizado, sem autorização do legítimo titular, quando exigida“. Dessa forma, qualquer citação de um outro texto retirado da internet, (como acabamos de fazer agora) seria considerada um crime, com pena de 2 a 4 anos de prisão! O mais grave é que, na verdade, todos os computadores fazem uma cópia das páginas que a máquina acessa, que ficam armazenadas no HD. Dessa forma, a própria navegação na internet estaria proibida.

Mas há pessoas que estão lutando contra esse projeto de lei. Há uma petição on line, que já coletou mais de 110 mil assinaturas, para que se vete a medida. Além disso, o professor universitário atuante na área de Comunicação Digital da PUCRS, Marcelo Trasel enviou uma carta a todos os senadores, em que inclusive diz:
“Não custa lembrar que o Senador Eduardo Azeredo, principal incentivador do projeto de Cibercrimes, recebeu doações do banco Bradesco para sua campanha. Coincidentemente, esse banco é proprietário da empresa Scopus, que entre outras coisas trabalha com certificação digital e será imensamente beneficiada pela redação desta lei”.

A assessoria do senador Eduardo Azeredo respondeu à carta imediatamente. Segundo a Folha de São Paulo, os bancos pagam por ano cerca de R$ 500 milhões às vítimas de fraudes na rede, clonagem de cartões e golpes em caixas automáticos.